18.11.03

PARABÉNS MICKEY MOUSE !!!
A mais famosa criação de Walt Disney comemora hoje 75 anos. Mickey Mouse, mais conhecido por cá como Rato Mickey, fez a sua primeira aparição 'com voz' a 18 de Novembro de 1928, no filme de animação Steamboat Willie. Ao contrário do que se possa pensar, esta não foi a sua primeira exibição pública. O Rato Mickey já tinha aparecido no ano anterior em duas curtas-metragens que passaram quase despercebidas, talvez por não terem ainda som.

Seja no cinema ou na banda desenhada, Mickey Mouse é, sem dúvida, a maior celebridade de Walt Disney, que tem fascinado e encantado gerações até aos nossos dias, 75 anos depois de tudo começar.

17.11.03

LIVROS NA BAIXA
Ontem passei pela Fnac, curiosa com as notícias de um aumento da área dedicada à banda desenhada. O aumento não é assim tão grande, mas de facto cresceu um bocadinho a área de expositores. Por lá estavam as reedições das antigas Aventuras de Filipe Seems e o novo volume, A Tribo dos Sonhos Cruzados, de António Jorge Gonçalves e Nuno Artur Silva. Aqui no Beco ainda não lemos, mas o João Miguel Tavares já e conta tudo aqui.



Entretanto, na zona dos livros importados, encontrámos os quatro volumes de Persépolis, de Marjane Satrapi (cujo primeiro já teve direito a recensão crítica aqui no blog), na edição francesa. Em Portugal, graças ao trabalho da Polvo, veremos o segundo volume já em 2004.
Mais duas observações livrescas no que à Fnac diz respeito: os livrinhos da editora L’Association multiplicam-se, o que é muito bom; a secção teoria/crítica continua um caos, com poucos livros e muito mal organizada, o que é muito mau.

16.11.03

UMA PRENDA PARA MORDILLO
Mordillo receberá, no próximo mês de Dezembro, uma prenda invulgar em jeito de homenagem pelo seu trabalho: cartoonistas do mundo inteiro juntam-se e preparam trabalhos que serão reunidos num mesmo álbum, para ser oferecido ao autor durante uma homenagem que decorrerá no Museo De La Caricatura Severo Vaccaro (Argentina). Mais informações sobre a homenagem a Mordillo e os autores que nela participam podem ser lidas aqui.


14.11.03

JOVENS CRIADORES 2003
"Os concursos "Jovens Criadores", uma organização conjunta do Ministério da Juventude e do Desporto e do Clube Português de Artes e Ideias, visam incentivar e promover valores emergentes das diferentes áreas artísticas.
As áreas a concurso são: Artes Plásticas, Banda Desenhada, Ciber Arte, Dança, Design de Equipamento, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração, Joalharia, Literatura, Moda, Música e Vídeo."


Nas áreas de Banda Desenhada e Ilustração as condições de participação são as seguintes:

.Trabalhos originais e inéditos
.Tema livre
.Técnica livre
.Número máximo de trabalhos: 2 (bd) e 5(ilustração)
.Número máximo de páginas (bd): 6
.Formato máximo admitido A1
.Prazo de entrega: 12 de Janeiro de 2004
.Os concorrentes poderão apresentar-se individualmente ou em grupo.
.Idade limite de 30 anos
.Nacionalidade portuguesa ou residir em território nacional

Local de entrega de trabalhos:
Clube Português de Artes e Ideias
Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 29, 2o
1200-369 Lisboa.

ou em qualquer delegação regional do Instituto Português da Juventude

Para mais informações:
www.artesideias.com
Tel: + 351 213230090 / 1 Fax: + 351 213230092

13.11.03

CONTRA A BURLA NEGRA: NUNCA MAIS!
Um ano depois de a costa galega ter sido palco de uma das maiores tragédias ecológicas dos últimos anos, aqueles que sabem que as ‘tragédias’ têm responsáveis e que é preciso que a memória nunca se perca continuam a trabalhar. Nas praias galegas ainda se encontram voluntários que recolhem diariamente todo o ‘chapapote’ que conseguem. Funcionários enviados pelas entidades responsáveis, pelo Governo Galego ou pelo Governo do Estado Espanhol, nem vê-los!


Andrea Lopez

Enquanto os voluntários passam o dia de costas dobradas, raspando fuel dos milhões de pedras espalhadas pela costa, o senhor Fraga Iribarne continua a correr todas as patuscadas galegas e a dizer, entre uma lagosta e um copo de ribeiro, que não há poluição nenhuma.
A Plataforma Nunca Máis e a Plataforma Contra a Burla Negra continuam a trabalhar no terreno, ajudando nas limpezas e dinamizando um debate político e social que a Galiza há muito reclamava. Entre os activistas e dinamizadores, a comunidade cultural galega tem assumido papel de destaque. Para além de músicos, escritores, actores e tantos outros, os autores de banda desenhada têm realizado um trabalho exemplar, de que já tivemos oportunidade de falar. Voltamos, por isso, a indicar o link do Colectivo Chapapote, aproveitando para publicitar o álbum de bd H2Oil, cuja descrição, retirada do site, deixamos aqui:



A prancha lá de cima também pertence ao álbum. Como espero regressar a Santiago brevemente, talvez antes do Natal, prometo dizer mais qualquer coisa sobre as histórias do H2Oil no regresso.
ISABELLE ARSENAULT
Formou-se em Design Gráfico e dedica-se à Ilustração desde 2000. Com a ilustração, a autora consegue conciliar as suas duas paixões: as artes visuais e a comunicação.
Tem trabalhos publicados em algumas revistas e jornais e já ganhou diversos prémios, entre os quais destacamos Communication Arts illustration annual 2002, Lux Québec illustration (corporative & cultural awards) 2002 e Lux Québec illustration (student award) 2001.
Aqui fica um pequeno exemplo do seu trabalho.




11.11.03

CINANIMA 2003
Começou ontem e irá decorrer até dia 16 de Novembro (próximo domingo) o 27º Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho.



"...a organização tem para oferecer aos amantes desta arte maior várias sessões competitivas Panoramas, Retrospectivas, entre elas uma dedicada a Joanna Quinn (Reino Unido) Premiados CINANIMA 2002; país nórdico; uma Mostra "Masters of Russian Animation".
Em exposição, sendo em premiere, teremos a parte "palpável" da série vencedora de vários prémios internacionais "As coisas lá de casa", realizada pelo internacional José Miguel Ribeiro. A par da passagem do seu making-off e de alguns episódios. Para fazer as delícias de miúdos e graúdos. Vários cartazes, que abordam a temática da água vão estar expostos, uma vez que se comemora o seu ano Internacional.
Um dos pontos altos deste evento será, com toda a certeza , a conferência/colóquio com o seguinte "mote" : a evolução da aceitação pelo público e pela crítica ao cinema de animação nas últimas décadas em Portugal. O orador será José de Matos-Cruz, um dos maiores historiadores de cinema do nosso país, autor de inúmeros livros sobre a sétima arte, professor de cinema, entre muitas outras funções. Será também feita a presentação de um novo livro da sua autoria."


A edição deste ano do CINANIMA conta ainda com um Ciclo Longas-Metragens, com 4 grandes filmes, entre os quais Corto Maltese, la Court Secrète des Arcanes, realizado por Pascal Morelli, França/Luxemburgo.



Para saberem mais sobre o Festival, os júris, as actividades, a competição, a programação e os prémios da edição de 2002 basta clicar aqui.
PRÉMIO (MAIS UMA) BOA OPORTUNIDADE PARA ESTAR CALADO
Não é nosso costume fazer comentários a personalidades políticas aqui no Beco, mas desta vez é irresistível. No blog Umbigo encontrámos esta pérola de Alberto João Jardim a propósito da bd contemporânea:

«Lia muito, era o Cavaleiro Andante, por exemplo, que tinha histórias muito pedagógicas, não era a bodega que se vê hoje na banda desenhada»

Ficou por esclarecer que bd anda o animado presidente do Governo Regional da Madeira a ler nas horas vagas. Dão-se alvíssaras…

10.11.03

DIA AGITADO
Tinha várias coisas para 'publicar' hoje aqui no Beco, mas o dia não foi fácil. Ficam para amanhã...
Hoje deixo apenas a informação de mais um curso do CITEN:

Estão abertas as Inscrições |de 1 de Novembro a 19 de Dezembro| para o

Curso de Escrita para Ilustração, Banda Desenhada e Cinema de Animação do
Centro de Imagem e Técnicas Narrativas

Para mais informações, contacte-nos via e-mail, telefone ou fax:

TEL: 21 782 35 05
FAX: 21 782 30 18
E-mail: citen@gulbenkian.pt


Quem puder e estiver interessado, não perca. Parece que os cursos têm valido muito a pena.

8.11.03

ESPAÇO CRÍTICO – PERSÉPOLIS, DE MARJANE SATRAPI
As Edições Polvo lançaram recentemente o primeiro de quatro tomos da série Persépolis, de Marjane Satrapi, a primeira autora de bd em terras iranianas.
Nascida em 1969, descendente do último imperador da dinastia Qadjar e do antigo primeiro-ministro da Pérsia/Irão, Marjane Satrapi viveu no Irão até aos 14 anos, altura em que os pais decidiram enviá-la para a Europa, poupando-a às novas leis e ao autoritarismo da facção fundamentalista que ganhara o poder após a revolução.
Persépolis é, assumidamente, um livro autobiográfico. A narrativa debruça-se sobre o período recente da História do Irão, que abarca a revolta contra o Xá, a sua deposição e a posterior revolução islâmica, sendo o ponto de vista do narrador o primeiro elemento a destacar-se nesta obra. É que uma das particularidades que faz de Persépolis um livro muito especial é o facto de a história que nele se conta ser narrada por Marjane, uma menina de dez anos que atravessa todas as agitações e perigos inerentes a um momento conturbado, mantendo a visão inevitavelmente parcial e fantasiosa de quem ainda não conhece muitos dos motivos que fazem girar a eterna engrenagem da História.
O primeiro volume de Persépolis acompanha as descobertas de Marjane no que diz respeito à vida, à sociedade e ao ‘mundo dos adultos’, ao mesmo tempo que relata os acontecimentos políticos que vão fazendo do Irão um país em constante turbulência, até à revolução. E só uma criança de dez anos, disposta a conhecer as particularidades do mundo mas ainda presa ao imaginário da sua infância, seria capaz de apresentar uma visão dos acontecimentos que se descrevem em Persépolis com a beleza ingénua e vincadamente fantasista com que a pequena Marjane nos vai contando a sua história. Esta ingenuidade é particularmente visível, mesmo comovente, quando Marjane ouve falar das torturas horríveis a que um amigo dos seus pais (como tantos outros) foi sujeito na prisão e a sua primeira reacção, sem poder perceber o alcance do que ouviu, é de ‘pena’, por não ter nenhum herói, nenhum torturado na família.
O traço de Marjane Satrapi, apenas negro sobre branco, é simples e sem marcas de elaboração no que ao pormenor diz respeito, o que não é, de modo algum, negativo. Pelo contrário, a simplicidade do traço garante ao conjunto gráfico-literário a total fusão entre as características da narradora e a história que se conta em palavras e imagens. E o resultado é um livro extraordinário, onde a força da narrativa e o traço singelo se fundem na construção de uma série de bd que promete tornar-se referência imprescindível.
Parece que o próximo volume sai no primeiro trimestre de 2004. Estejam, por isso, atentos.


Prancha da edição em castelhano.

7.11.03

TÓQUIO – HONG-KONG – XANGAI - SINGAPURA
Dia 8 de Novembro (amanhã), às 17 horas, inaugura a exposição de artes plásticas de Pedro Zamith (autor com trabalho assinalável nas áreas da bd e da ilustração) na Galeria Monumental. O catálogo da exposição é obra da Associação Chili com Carne.



A não perder no Campo Mártires da Pátria, nº101, Lisboa

Para mais informações: Tel.-213533848 email: monumental@clix.pt
O TINTIM DA SEMANA
A aventura semanal de Tintim vendida com o Público é, hoje, O Tesouro de Rackham, o Terrível, publicado no “Le Soir” entre 19 de Fevereiro e 23 de Setembro de 1943 e continuação das aventuras iniciadas em O Segredo do Licorne.



O texto semanal do Público, que deveria estar actualizado aqui, ainda não está... Pode ser que entretanto apareça.
Sobre as situações criadas a partir do duplo sentido da fonética de Tintim, leia-se o divertido comentário do Ponto (dia 5 de Novembro).
ESCRITA EM DIA
O mail.pt decidiu fazer algumas actualizações (espero que agora deixe de ser necessário escrever 2500 vezes a password até a caixa do correio abrir!) e nós estivemos incontactáveis durante dois dias. Pedimos, por isso, desculpa a quem nos escreveu e ficou sem resposta.
Agradecemos, então, ao Anjo Élico, pela sugestão deste fantástico site de Peter Kuper e da sua releitura de A Metamorfose, de Kafka.
Agradecemos também as indicações do Luís Graça sobre Palestina, de Joe Sacco. Já agora, Luís, não há que agradecer. O Central Comics é mesmo um site imprescindível para quem gosta de bd!

6.11.03

NÃO HÁ ANÕES, ISSO SÃO HISTÓRIAS QUE VÊM NOS LIVROS
Podem ver a partir de amanhã a exposição Das Histórias Nascem Histórias - um projecto de Fernanda Fragateiro a partir do universo literário de Sophia de Mello Breyner Andresen (que faz hoje 84 anos).



Trata-se de uma iniciativa do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas em colaboração com o Centro Cultural de Belém e pode ser visto até dia 1 de Fevereiro no Grande Hall do Centro de Exposições todos os dias 10h00 às 18h30 (visitas livres excepto às segundas-feiras e dias 24, 25 e 31 de Dezembro e dia 1 de Janeiro 2004).

Mais informações aqui.

5.11.03

E O PALESTINA?
Já não sei onde li, mas sei que li, que a obra Palestina, de Joe Sacco iria ser publicada pela Devir no último fim de semana do FIBDA. O dito fim de semana já lá vai, e eu ainda não vi o livro. Alguém tem notícias sobre o assunto?



Entretanto, podem ler aqui um artigo de 26 de Outubro sobre Joe Sacco e Palestina.

4.11.03

CURSOS DO CITEN
Chegou-nos a seguinte informação do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas:

Estão abertas as Inscrições |de 15 de Outubro a 10 de Novembro| para o Workshop de Banda Desenhada do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas.

Estão abertas as Inscrições |de 15 de Outubro a 15 de Novembro| para o Curso de Cinema de Animação para Professores do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas.

Para mais informações, contacte-nos via e-mail, telefone ou fax:

TEL: 21 782 35 05
FAX: 21 782 30 18
E-mail: citen@gulbenkian.pt

3.11.03

ILUSTRARTE
A Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2003 abriu ao público no passado dia 1 de Novembro. Como já foi referido aqui no Beco, a grande vencedora do concurso Ilustrarte foi a ilustradora francesa Frédérique Bertrand.


Frédérique Bertrand

Dos cerca de 50 artistas seleccionados para a exposição, poderemos apreciar os trabalhos dos seguintes ilustradores portugueses: Gémeo Luís, Teresa Lima, André Letria, João Vaz de Carvalho, Alain Corbel e José Manuel Saraiva (menção honrosa com as ilustrações do livro O Meu Urso, da editora Lobobom).


José Manuel Saraiva

A exposição estará patente até dia 30 de Novembro de 2003 no Fórum Augusto Cabrita, no Barreiro.

2.11.03

E CHEGOU AO FIM… PARA O ANO LÁ ESTAREMOS OUTRA VEZ
No último dia do FIBDA houve tempo para rever exposições, participar no debate com Michel Plessix, passar pelos autógrafos e dar uma última vista de olhos às novidades editoriais. Mas vamos por partes.

No segundo andar da Escola Intercultural, a exposição dedicada ao tema deste ano (‘A Mulher na BD’) ocupava algumas salas que valeu a pena voltar a visitar. Dividida em vários núcleos, a exposição permitiu, acima de tudo, um olhar sobre a presença da Mulher na bd ao longo da história (as pranchas dos anos 30 fascinaram!). Destaque para os trabalhos de autores como Miguelanxo Prado (uma das ausências do Festival), Hugo Pratt, Cosey e Crumb, ou as figuras femininas erotizadas por Manara (a outra ausência notada), Guido Crepax e Alex Varenne, que assumiram o papel de representar a visão masculina, acabando por resultar em várias visões, porque a genialidade de todos estes autores é suficientemente marcada para não podermos falar de uma só visão, uniforme.



Destaque ainda maior para a sala onde se juntaram mais de duas dezenas de autoras de bd, de Jill Thompson a Roberta Gregory, passando por Melinda Gebbie, Kate Charlesworth, Alice Geirinhas, Lynn Johnson, Magda Seron, Marina Palácio, Chantal Montelier, Camille Garcia ou Isabel Lobinho, apenas para referir algumas. Nesta sala pudemos voltar a ver pranchas de obras já lidas, mas também ficámos a conhecer alguns trabalhos inéditos e outros que nunca tivemos oportunidade de ler.


Roberta Gregory


Vera Tavares


Melinda Gebbie


Magda Seron

Entre uma exposição e um debate, a pausa para o café levou-nos a encontrar o Luís Graça, do muito recomendável Central Comics, que nos anunciou novos textos do seu ‘diário’ do FIBDA. Não sei se já estão on-line, mas espreitem aqui para descobrir.

O debate com Michel Plessix deu-nos a conhecer um autor profundamente envolvido com as personagens que (re)criou e capaz de fazer do pormenor uma espécie de filosofia estética. Plessix contou como foi a sua descoberta de O Vento nos Salgueiros, romance de Kenneth Grahame, e como surgiu a vontade de colocar no papel a sua própria visão das personagens. Daí a convencer o editor, ansioso por novas propostas na área da bd infantil (que não estava a ter o mesmo desenvolvimento que a restante no panorama da bd franco-belga), foi um passo curto e muito certeiro.
O autor bretão falou ainda do fascínio que tem pela diversidade e pelos pormenores (facto bem visível no seu trabalho gráfico), do seu método de trabalho, que implica o recurso a fotocópias do que desenhou (e para os puristas, Plessix deixou uma frase certeira: “Na bd, o que interessa é o resultado final. É essa a grande diferença em relação à pintura e por isso os originais não são para ser vistos.”) e da influência do cinema na sua concepção de planos. Para o futuro, planeia outros projectos envolvendo as personagens de “O Vento nos Salgueiros”…



No capítulo dos autógrafos, reinou a animação habitual. Aqui no Beco conseguimos a paciência necessária para esperar por um desenho de Michel Plessix. E valeu a pena, claro. Mas o tempo não deu para mais e os livros que queríamos ver “personalizados” já o tinham sido nos outros dias, por isso escapámos depressa do simpático caos (mas caos, ainda assim) da sala de autógrafos e aproveitámos para fazer uma última ronda pelos stands das editoras. Na Polvo, a novidade do dia era a versão portuguesa de A las mujeres no les gusta follar (não me lembro se o título português é tão explícito, ou se tem estrelinhas no lugar do verbo-tabu, mas o livro é recomendável de qualquer forma.), de Alvaréz Rabo (assinou-nos livros ontem e podemos garantir que a ousadia do seu trabalho é directamente proporcional à simpatia e à disponibilidade para conversar). Nos outros stands não vimos novidades em relação aos últimos dias e, com o stand da Devir mais sossegado do que o habitual, acabámos por dedicar alguns minutos a ler algumas histórias do terceiro volume de A Pior Banda do Mundo: As Ruínas de Babel, de José Carlos Fernandes. Valeu a pena, claro.
Nos próximos dias, e agora que o FIBDA acabou, dedicaremos bastante espaço a comentar alguns dos livros recentemente lançados. E sobre o balanço do último dia, ficamos por aqui. Para o ano há mais!
O ÚLTIMO DIA DO FIBDA
Chega hoje ao fim a edição anual do Festival Internacional de BD da Amadora. Nos próximos dias, será tempo de balanço aqui no Beco. Entretanto, hoje ainda há exposições para ver, debates para participar e autógrafos para pedir. Há também novos livros à venda nos stands da Escola Intercultural: A Tribo dos Sonhos Cruzados, de António Jorge Gonçalves e Nuno Artur Silva (Asa) e As Ruínas de Babel, de José Carlos Fernandes (Devir) são dois dos destaques, sendo ainda de referir que os três autores estarão hoje a assinar os respectivos livros no espaço de autógrafos do FIBDA.
E por agora não digo mais nada! Entre as 14h e as 23h, a Escola Intercultural está de portas abertas para os apreciadores de BD. E eu já estou a caminho…


1.11.03

NOTAS SOBRE O FESTIVAL DA AMADORA – 4: OS INTERDITOS
Duas exposições têm feito a dor de cabeça dos pais no FIBDA deste ano. É que há miúdos que não aceitam facilmente a plaquinha “Interdito a menores de 18 anos”, insistindo em espreitar para lá das portas misteriosas.
Os interditos deste ano são dois: Alvarez Rabo, o desbocado humorista galego (ou será basco?) que conta, no seu curriculum, com títulos como A las mujeres no les gusta follar, e a dupla madrilenha Mónica e Bea, autoras de Las pequeñas viciosas, que começou por sair na revista El Vibora e acabou num álbum em nome próprio.

A exposição dedicada a Alvarez Rabo conta com algumas pranchas originais do álbum A las mujeres no les gusta follar. Marcado pelo humor de cariz sexual e com várias acusações de “sexismo” e “machismo” a trazerem-lhe alguma notoriedade, o livro de Alvarez Rabo cujos originais estão presentes no FIBDA é, na realidade, uma reflexão desbragada sobre o sexo entre homens e mulheres, reflexão essa que deixa, muitas vezes, o homem em maus lençóis…
Com um traço descuidado e, pelo menos aparentemente, elaborado sem qualquer preocupação de rigor (o próprio autor costuma dizer que desenha “com o rabo”!), o trabalho do autor galego revela uma atenção metódica e mordaz às ‘regras’ e às ideias feitas em torno das relações heterossexuais.




Mónica e Bea participam no FIBDA com várias pranchas numa exposição onde se destaca o trabalho Pequeñas e Viciosas, responsável pelo sucesso da dupla no meio ‘alternativo’ da bd espanhola. A pornografia marca presença no trabalho da dupla de Madrid, deixando, no entanto, algum espaço para a construção de argumentos bastante consistentes embora com a repetição do mesmo eixo narrativo.




Ambas as exposições estão no segundo andar da Escola Intercultural, em salas devidamente identificadas. Para ver até amanhã.

31.10.03

O ÚLTIMO FIM-DE-SEMANA DO FIBDA 2003



No próximo Domingo chegará ao fim o Festival Internacional de BD da Amadora deste ano, por isso apressem-se os que ainda não passaram por lá. Para este fim-de-semana final estão previstas as seguintes sessões de autógrafos:

Sábado (dia 1 de Novembro)
15h – Béatrice Tillier; Michel Plessix; Alvarez Rabo; Xavier Dorison; Tehem; Sandrine Revel; Cinzia Ghigliano; Rui Pimentel; Ricardo Ferrand
16h - Béatrice Tillier; Michel Plessix; Alvarez Rabo; Xavier Dorison; Tehem; Sandrine Revel; Cinzia Ghigliano; Florence Cestac; Rui Lacas; Ciça; André Carrilho; David Soares
17h - Béatrice Tillier; Michel Plessix; Alvarez Rabo; Florence Cestac; Adão Iturrusgarai; Tehem; Ciça; António Jorge Gonçalves; Nuno Artur Silva; David Soares
18h - Béatrice Tillier; Michel Plessix; Alvarez Rabo; Florence Cestac; Adão Iturrusgarai; Tehem; António Jorge Gonçalves; Nuno Artur Silva

Domingo (dia 2 de Novembro)
15h – Béatrice Tillier; Sandrine Revel; Florence Cestac; Alvarez Rabo; Xavier Dorison; Adão Iturrusgarai; Danielle Dubos; Ciça; Bandeira; José Garcês; José Ruy; Derradé; Ricardo Ferrand
16h – Béatrice Tillier; Sandrine Revel; Alvarez Rabo; Florence Cestac; Adão Iturrusgarai; Ciça; Miguel Rocha; José Ruy; José Garcês; José Carlos Fernandes; Alain Corbel; Diniz Conefrey
17h – Béatrice Tillier; Michel Plessix; Sandrine Revel; Adão Iturrusgarai; Bandeira; Derradé; José Carlos Fernandes; André Letria; Luis Louro; Eugénio Silva; Pedro Brito
18h – Michel Plessix; Adão Iturrusgarai; Luis Louro; Bandeira; Ricardo Ferrand; Eugénio Silva; Luis Differ

Para além dos autógrafos, os últimos dias do FIBDA contarão com alguns debates imperdíveis. Para a tarde de sábado (dia 1 de Novembro), entre as 15.30 e as 19 horas, estão agendados diversos debates com representantes das editoras ASA, Devir, Polvo, Witloof, BookTree, Meribérica e VitaminaBD e alguns autores, enquanto que para a tarde de domingo estão previstos debates com Michel Plessix (16 horas), Sonia Luyten e Ciça (17 horas) e com diversas autoras francesas (18 horas).
TINTIM À SEXTA-FEIRA
Hoje é dia de Tintim com o Público e o volume de hoje é O Segredo do Licorne. Como vem sendo hábito, recomenda-se o texto que está aqui.


30.10.03

ENTREVISTA COM JOSÉ CARLOS FERNANDES
José Carlos Fernandes conversou com o Beco das Imagens durante o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Com enorme simpatia e disponibilidade para falar do seu trabalho e do seu universo criativo, José Carlos Fernandes respondeu às perguntas sobre a obra que tem desenvolvido, reafirmou a vontade de continuar a explorar o universo da Pior Banda do Mundo e falou-nos de outros projectos, que incluem um conjunto de argumentos para histórias curtas que serão desenhadas por Miguel Rocha e Jorge Gonzalez.
Até ao próximo fim-de-semana, pode ver-se a exposição individual do autor no segundo andar da Escola Intercultural.

Esta entrevista foi também publicada no Canal de Livros, aqui.



Vou começar pela pergunta mais ou menos clássica… Como é que começaste a desenhar?

Eu tenho uma história muito pouco característica…Em miúdo tinha algum jeito para o desenho, mas nunca fiz nada por isso, nunca trabalhei sistematicamente, nunca pratiquei. Deixei praticamente de desenhar no momento em que fui para a Faculdade mas ficou sempre um ‘bichinho’ cá dentro. E depois, assim um pouco excepcionalmente decidi que ia começar a desenhar e cerca de dois ou três meses depois surgiu a oportunidade de fazer uma banda desenhada e fiz. E foi muito menos complicado do que eu pensava, ou seja, ficou uma porcaria porque foi a primeira tentativa (risos), mas os problemas que eu julgava que eram os piores, afinal pareceram-me simples de resolver. E depois fui sistematicamente tentando resolver os problemas que tinha e que eram óbvios… E foi assim.

Mas continuaste a trabalhar na área da Engenharia Ambiental?
Ah, sim. A banda desenhada era feita nos tempos livres, nos feriados, nas férias, à noite. E isso praticamente durante dez anos. Só quando recebi a bolsa de criação literária é que resolvi fazer banda desenhada a tempo inteiro.

Sempre publicaste com uma regularidade assinalável. As histórias surgem-te com facilidade?
Sim, nunca tive problemas em criar histórias As únicas vezes em que tive alguma coisa parecida com um bloqueio foi quando achei que o que tinha feito até aí já estava arrumado e que queria subir para o ‘patamar’ acima. Mas como essas coisas não se decidem assim, tive alguns momentos em que fiquei bloqueado. Eu podia fazer o mesmo que já tinha feito antes, mas queria fazer melhor. De resto, nunca tive dificuldade em criar histórias. Aliás, levo muito mais tempo a executá-las em termos de arte final do que a definir a ideia base.

Olhando para a tua obra de um modo transversal parece haver algumas linhas comuns desde os primeiros trabalhos, sendo a mais consistente a dimensão onírica de muitos personagens. Concordas?
Sim. Há coisas que estão algures entre o surreal…mas também o surreal decorre, no fundo, da suspensão, pelo menos parcial, da racionalidade…portanto isso acaba por ir dar um pouco ao onirismo. No limite, toda a ficção é onirismo (tirando aquela que é neo-realista ou hiper realista até ao último detalhe). Mas é verdade que as minhas histórias estão muito vinculadas a coisas materiais. O meu quotidiano é um quotidiano sempre visto através de um espelho deformado. As vezes que tentei trabalhar com a linguagem do cinema não tive bons resultados, porque estou muito pouco à vontade com essa linguagem, que é muito realista. Há pessoas concretas, em lugares concretos, definidos, muito terra a terra. E as minhas bandas desenhadas vivem mais num mundo de ideias, de conceitos, de ambientes, e eu tenho a preocupação de não lhes dar um lugar e um tempo definidos. Percebe-se vagamente que as coisas se podem passar no início do século XX, mas ao mesmo tempo introduzo alguns anacronismos propositadamente para baralhar os dados, para que tudo seja válido, qualquer lugar, qualquer tempo…

E a lógica quase labiríntica da conspiração… Parece que as tuas personagens têm todas uma paranóia qualquer que as faz agir de determinada maneira, quase como se não fossem elas a controlar as suas atitudes. De onde vem essa ideia?
Todas essas obsessões acabam por ser metáforas do nosso próprio comportamento. Por exemplo, no caso da Pior Banda do Mundo, o anacronismo que eu introduzo é um bocado malicioso porque tem como objectivo apanhar as pessoas desprevenidas. As pessoas olham para aquilo e pensam ‘Bom, isto é outro lugar, outro tempo’. Mas a minha intenção é que se perceba que tudo aquilo nos diz respeito a nós, agora. Há paranóias ali que são perfeitamente contemporâneas e por isso o anacronismo de espaço e de tempo é uma forma de apanhar as pessoas desprevenidas. Mas espero que as pessoas vão percebendo, à medida que vão lendo as histórias, que tudo aquilo, todas aquelas paranóias, tem tudo a ver connosco, com os nossos problemas e com a nossa sociedade.

O teu universo é muito povoado por referências literárias e musicais: Jorge Luis Borges, Kafka, o Jazz… Como é que vês a relação da banda desenhada com essas outras artes?
Bom, a música é mais um gosto pessoal, mais ambiência do que propriamente influência directa. A literatura é o quarto ao lado da banda desenhada e aí, sem dúvida, as influências são muitas. Com a música é diferente. Há dias estava a ler a Wislawa Syzmborska, uma poeta polaca de quem eu gosto muito, e li um excerto onde pude perceber uma coisa que eu sinto e que nunca conseguiria exprimir por palavras. A propósito da música, ela explica que a música gera muitas vezes dentro de nós uma tensão que só conseguimos resolver escrevendo ou pintando ou recorrendo a outra expressão artística. E o resultado dessa expressão pode não ter sido directamente criado pela música, mas foi graças à tensão que a música produziu que pode surgir. E essa é a relação do meu trabalho com a música. Digamos que a música não é uma influência directa, mas mais uma presença decorativa ou de ambiente.
No caso da Pior Banda do Mundo, talvez possa arriscar uma metáfora. Há um pianista de jazz que começou a ser conhecido nos anos 40/50, Thelonious Monk, que ficou conhecido por tocar sempre a nota ao lado da nota certa, e sempre uma fracção de segundo antes ou depois do momento considerado certo. E tudo aquilo produz uma música extremamente angulosa e distorcida, mas que não é menos bela por isso. De certa forma é isso que acontece com aquela galeria de personagens da Pior Banda do Mundo. Eles nunca acertaram na nota correcta da vida deles; tocaram-na sempre ao lado… E essa é, de certa forma, a melodia que as minhas personagens tocam.

A série A Pior Banda do Mundo tem sido considerada pela crítica, de modo muito unânime, como uma obra de maturidade. Sentes isso na realidade, ou seja, sentes que chegaste a um outro patamar do teu trabalho? Estás tão satisfeito como a crítica com o teu trabalho?
Sim, se não tivesse ficado satisfeito não persistiria na continuação do trabalho com a Pior Banda. Eu sempre gostei de fazer coisas muito diferentes umas das outras, quer em termos de desenho, quer em termos de narrativa. E é significativo que, pela primeira vez, tenha parado num sítio. Com A Pior Banda do Mundo criou-se um universo no qual eu me sinto perfeitamente à vontade e onde consigo contar histórias que dantes não conseguia contar. E as histórias, neste universo, surgem-me com muita facilidade. Às vezes estou a executar uma história e acabo por ter ideias para mais uma ou duas. Não sei se este é um trabalho de maturidade ou não, mas a verdade é que fiquei, pela primeira vez, sensibilizado com aquilo que criei e, para já, não excluindo fazer outras coisas, não penso abandonar este projecto da Pior Banda do Mundo tão cedo.

Então podemos contar com mais volumes para além dos seis anunciados?
Sim, estão terminados seis volumes mas eu tenho sinopses para mais. A minha preocupação fundamental é ter a certeza de que não descobri um filão fácil, estando a explorá-lo só porque é fácil. Por isso exerço uma vigilância constante para garantir que o nível de qualidade se mantém, quer nos ambientes, quer nas histórias.

Isso acaba por ter a ver com a própria noção de variação musical tão presente no jazz… É como se estivéssemos perante inúmeras variações de uma primeira frase musical que, às tantas, já não são a mesma música.
Sim, é uma comparação feliz. De facto é um trabalho interessante ouvir várias versões da mesma música porque chegamos sempre a sítios diferentes e isso é um pouco o que acontece na cidade da Pior Banda do Mundo. Para além disso, é muito fácil criar muitas histórias naquele universo. Tirando o limite que impus a mim próprio, de não ocupar mais de duas páginas com cada história, tenho liberdade total para criar histórias onde posso fazer quase tudo, inclusive introduzir personagens que podem não voltar a aparecer, enfim…a liberdade é muito grande.

29.10.03

PRÉMIOS ZÉ PACÓVIO & GRILINHO 2003
Deixamos aqui a lista dos vencedores do FIBDA deste ano:

Melhor álbum português:
O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante - de José Carlos Fernandes



Melhor argumento para álbum português:
Arlindo Fagundes em A Rapariga do Poço da Morte, da Editorial Caminho



Melhor desenho para álbum português:
André Carrilho em Em Lume Brando, das Edições Polvo

Melhor álbum de autor estrangeiro:
Vincent e Van Gogh de Gradimir Smudja, da Witloof Edições



Melhor álbum de tiras humorísticas:
Namoros, Casamentos e Outros Desencontros, de José Bandeira, da Gradiva



Destaque especial do júri:
Blacksad: Os Bastidores do Inquérito de Diaz Canales e Juanjo Guarnido, das Edições Asa



Clássicos da 9ª Arte:
Sin City - A Cidade do Pecado de Frank Miller, da Editora Devir



Fanzine:
Tertúlia BDZine



Ilustração:
O Circo da Lua com ilustrações de Marina Palácio e argumento de André Gago, editora Difel.

27.10.03

NOTAS SOBRE O FESTIVAL DA AMADORA – 3
No espaço infantil do FIBDA, para além de jogos educativos, encontra-se uma exposição com as pranchas originais de Um Invulgar Anjo da Guarda, de Sandrine Revel (com edição portuguesa da Witloof). Apesar do traço visivelmente pensado para um público infantil, e com um conjunto de cores suaves mas bem marcadas, o trabalho de Sandrine Revel consegue despertar o fascínio do público de todas as idades.



Os trabalhos expostos na Amadora pertencem a vários volumes da obra que a Witloof começa agora a publicar. Aqui no Beco gostámos tanto que já estamos impacientes à espera dos próximos volumes!
Colocadas a um nível adequado à estatura dos mais novos, as pranchas da autora francesa estão no piso térreo da Escola Intercultural (mesmo ao lado das pipocas).

26.10.03

NOTAS SOBRE O FESTIVAL DA AMADORA-2
Michel Plessix trabalha na área da banda desenhada desde os anos oitenta e a sua obra mais conhecida em Portugal, graças à edição da Witloof, é a série O Vento nos Salgueiros, adaptação do romance homónimo de Kenneth Grahame. Em torno desse trabalho construiu-se a exposição que podemos ver no FIBDA e que merece o nosso destaque.



As pranchas originais expostas no segundo andar da Escola Intercultural revelam as características que me parecem centrais neste trabalho de Plessix: a atenção ao pormenor e o olhar revelador de um fascínio incondicional pela beleza que só a infância parece conseguir encontrar. Se a leitura de O Vento nos Salgueiros, versão Plessix, nos transporta para um mundo maravilhoso e capaz de atrair leitores de todas as idades, o contacto directo com as suas pranchas permite-nos contactar com o trabalho que esteve por trás da obra, compreendendo a sua génese do ponto de vista gráfico (pena é que não haja pranchas com cor…).
Este é o fascínio de Plessix, capaz de transformar o romance de Grahame numa outra obra igualmente grandiosa e de comprovar a velha máxima que diz que todas as boas histórias, infantis ou não, são intemporais.
A exposição está, como já disse, no segundo andar da Escola Intercultural e é um dos destaques absolutos deste FIBDA.

PREVISÃO DA SEMANA
Acabada de chegar do FIBDA, que teve um fim-de-semana animado, a chuva e o cansaço não me deixam muita vontade de escrever. Ainda assim, deixarei uma nota sobre a exposição dedicada a Michel Plessix. O resto irei escrevendo com a Sílvia nos próximos dias. E o resto passa por comentários aos debates de hoje, às sessões de autógrafos, às várias exposições e a outros eventos que ocuparam a Escola Intercultural durante o fim-de-semana que agora acaba. A partir de amanhã, e espero que já com a presença da Sílvia (que está sem internet há uns dias), num Beco perto de si!

24.10.03

A ESTRELA MISTERIOSA
O Tintim distribuído hoje com o Público é A Estrela MIsteriosa. Como de costume, pode ler-se um texto a propósito aqui. E quem não se lembrou de comprar, amanhã ainda vai a tempo de o procurar no quiosque.

PROGRAMA DAS FESTAS
Este fim-de-semana, no espaço central do FIBDA (Escola Intercultural) decorrerão as seguintes sessões de autógrafos:

Sábado (dia 25)
15h – Carlos Trillo; Eduardo Risso; Kate Charlesworth; Chantal Montellier; Arlindo Fagundes; José Abrantes
16h – Chantal Montellier; Kate Charlesworth; André Carrilho; André Letria; Arlindo Fagundes; José Abrantes; Luis Louro; Pedro Brito; Miguel Rocha
17h – Kate Charlesworth; André Letria; José Abrantes; José Carlos Fernandes; José Garcês; Luis Louro; Rui Pimentel

Domingo (dia 26)
15h – Carlos Trillo; Eduardo Risso; Kate Charlesworth; Artur Correia; José Carlos Fernandes; José Garcês; José Ruy; Luis Louro
16h - Carlos Trillo; Eduardo Risso; Kate Charlesworth; Chantal Montellier; Arlindo Fagundes; Artur Correia; José Abrantes; José Carlos Fernandes; Luis Louro; Miguel Rocha; Nuno Saraiva; Rui Lacas
17h - Carlos Trillo; Eduardo Risso; Chantal Montellier; Ermengol Tolsa; Arlindo Fagundes; Artur Correia; Alain Corbel; Nuno Saraiva; José Carlos Fernandes
18h - Carlos Trillo; Eduardo Risso; Chantal Montellier; Ermengol Tolsa


(A fotografia é do Central Comics, por onde vale sempre a pena passar. As últimas actualizações incluem vários textos sobre o FIBDA, a não perder.)

Para além disso, há conferências/debates para assistir e participar, no auditório da Escola:

Sábado (dia 25)
16h – O Trabalho em Colaboração, com Carlos Trillo e Eduardo Risso

Domingo (dia 26)
16h – Cartoon, com Ermengol Tolsá
18h – A Colaboração e o Autor Completo, com David Soares, Rui Zink e José Carlos Fernandes

Amanhã, pelas 18h30, decorrerá a cerimónia de entrega dos prémios Zé Pacóvio e Grilinho nos Recreios da Amadora.

Para informações mais detalhadas sobre a programação do Festival ou sobre a localização das exposições e eventos, espreitem aqui.

23.10.03

A DUPLA ‘MARAVILHA’ NA ESCOLA INTERCULTURAL
Eduardo Risso e Carlos Trillo são duas presenças em destaque no segundo fim-de-semana do FIBDA. O desenhador e o argumentista de obras como Borderline ou a série Fulù mantêm, desde 1989, uma parceria de trabalho que se tem revelado muito proveitosa.



Mesmo prosseguindo com os seus trabalhos individuais ou com outras colaborações (lembramos que Carlos Trillo colaborou com nomes como Horacio Altuna, Carlos Meglia ou Alberto Breccia, entre muitos outros), a dupla Risso/Trillo tem contribuido de modo inigualável para colocar a Argentina no mapa mundial da nona arte.
No próximo fim-de-semana, Eduardo Risso e Carlos Trillo estarão na Escola Intercultural para sessões de autógrafos, que começam às 15 h, e para uma conferência/debate sobre o tema “O Trabalho em Colaboração”, que decorre no Sábado, às 16h (no Auditório da Escola). Se puderem, não percam!

22.10.03

NOTAS SOBRE O FESTIVAL DA AMADORA-1
Nos próximos dias iremos publicando vários comentários sobre as exposições e eventos do FIBDA.
Começamos com a exposição dedicada a Zits. Da autoria de Jerry Scott & Jim Borgman, Zits é uma das mais populares séries de bd nos EUA e um pouco por todo o mundo. Com edição portuguesa da Gradiva, os desvarios adolescentes de Jeremy Duncan estão presentes na Amadora numa exposição retrospectiva que destaca alguns dos seus melhores momentos.
Zits começou a ser publicado em 1997 em 200 jornais e hoje sai regularmente em mais de 1000. Vencedora de vários prémios de banda desenhada e humor, a série Zits traz à Amadora a visão ao mesmo tempo complexa e divertida de um adolescente de quinze anos sobre as relações familiares.
A ver na Escola Intercultural, núcleo central do FIDBA.

21.10.03

NOVIDADES EDITORIAIS
Nos stands das editoras presentes no FIBDA descobrimos algumas novidades que merecerão, certamente, destaque aqui no Beco. A Witloof publicou Vincent e Van Gogh, vencedor do prémio Melhor Álbum Estrangeiro deste ano. O autor é Gradimir Smudja e o livro, que folheámos por entre o rebuliço geral, conquista de imediato o leitor pelo traço belíssimo e pela densidade das cores, recriando as características dos quadros impressionistas e de Van Gogh em particular. Sobre ele já escreveu João Miguel Tavares aqui (no dia 13 deste mês) e nós esperamos poder acrescentar mais alguma coisa brevemente.
Também da Witloof é o álbum Um Invulgar Anjo da Guarda, de Sandrine Revel, que tem uma exposição junto do Espaço Infantil do Festival da Amadora e que estará presente no próximo fim de semana para sessões de autógrafos. As pranchas expostas revelam um universo fantástico que parece ter como público alvo os mais jovens, mas que não deixará de encantar todos os outros.
Da Polvo saiu A Vida Numa Colher – Beterraba, de Miguel Rocha, cujas pranchas já tivemos oportunidade de ver no Salão Lisboa deste ano. Este último livro de Miguel Rocha, que desde os primeiros trabalhos tem vindo a assumir um destaque merecido no panorama da bd nacional, volta a demonstrar a sábia união entre uma narrativa cuidadosamente construída e um desenho capaz de potenciar uma leitura que parece resultar da memória intensa do que se leu. Na mesma editora publica-se também uma reedição bem merecida de A Máquina de Prever o Futuro de José Frotz, de José Carlos Fernandes.
As Edições Asa lançaram durante o fim-de-semana um novo álbum de Luís Louro, Corvo - O Regresso. Ainda não vimos nada para além da capa, pelo que guardamos os comentários para mais tarde, mas é com bastante agrado que se regista o regresso daquela que é, quanto a mim, a personagem mais marcante e melhor conseguida de Louro na sua fase pós-Jim del Mónaco.
A Devir tem anunciados dois lançamentos de peso para o último fim-de-semana do Festival: As Ruínas de Babel, de José Carlos Fernandes (o terceiro volume da série A Pior Banda do Mundo) e Palestina, de Joe Sacco, finalmente traduzido em português.


Capa (da edição francesa) de Vincent e Van Gogh, vencedor do prémio Melhor Álbum Estrangeiro

19.10.03

ENTREVISTA COM MAURÍCIO DE SOUSA
Maurício de Sousa dispensa grandes apresentações. A diversidade geracional que, hoje à tarde, se verificava na longa fila para os autógrafos é prova disso e do enorme fascínio que a Turma da Mónica continua a exercer sobre os leitores de todas as idades.
Nascido numa família onde as mulheres sempre tiveram um papel preponderante, Maurício fala das suas personagens femininas com um carinho visivelmente especial. E sendo a ‘Mulher’ o tema central do FIBDA deste ano, quem melhor do que a Mónica, com a sua personalidade forte e marcante, para assumir papel de destaque na galeria de personagens femininas da BD?
Maurício recebeu-nos com enorme simpatia e com toda a disponibilidade para conversar e responder às nossas perguntas. Falou do seu trabalho com a paixão de um criador dedicado, apresentou novos projectos e garantiu, para sossego geral dos seus leitores fiéis, que a Turma da Mónica terá continuidade assegurada com o trabalho da sua filha Marina, sucessora de Maurício e já com bastante prática no trabalho de fazer nascer histórias com a galeria de personagens da Turma.

A entrevista que Maurício nos concedeu foi partilhada com um repórter da universohq (que simpaticamente nos cedeu as pilhas da máquina fotográfica quando o nosso gravador começou a dar sinais de cansaço… Obrigada, Hugo!). Assim, algumas perguntas acabaram por ser comuns (para evitar repetições desnecessárias) e outras, colocadas pelo Hugo, geraram, obviamente, mais linhas de diálogo para além das que nós fomos apresentando. Colocaremos em itálico alguns apontamentos sobre as respostas dadas ao universohq, remetendo os nossos leitores para a entrevista que estará algures aqui.





Como é continuar a conviver com os mesmos personagens ao fim de tantos anos?
Como os meus personagens são inspirados nos meus filhos e a gente não se farta dos filhos, em princípio (risos), eu não me canso. Além disso, há um lado muito grande de humanidade nestes personagens e uma felicidade constante...


Então a Mónica é inspirada na sua filha?
Sim, a Mónica na realidade é a minha filha. Como a Magali é minha filha. Fui agarrando em algumas características da personalidade e até características estéticas dos meus filhos, e de alguns amigos deles, e fui criando as personagens. O Cascão, por exemplo, era um menino que brincava ali perto de nossa casa. E agora vão surgir personagens novas, como Vanda e Valéria ( que serão lançadas brevemente) ou Marcelinho, inspirado no meu filho de cinco anos que já nasceu politicamente correcto e é tão certinho e tão ‘patrulheiro’ que não dá para acreditar! Ele brinca e depois arruma os brinquedos, lava as mãos antes de comer, apaga a luz quando sai do quarto…ele já nasceu assim, certinho, e às vezes é mesmo difícil de aguentar (risos). Como eu tenho dez filhos, sempre tem personagens para serem lançados!


É o Maurício que desenha todas as histórias ou tem uma equipa a colaborar consigo?
No início da minha carreira era eu que fazia todo o trabalho sozinho. Mas hoje tenho uma equipa, e eles trabalham tão bem que eu só preciso de dar algumas orientações. O resto praticamente já não preciso de ver. E se houver alguma falha, alguma coisa errada, eu vejo na versão publicada e aviso logo o responsável.


E os argumentos?
Os roteiros a mesma coisa. Hoje em dia já são feitos por uma equipa. Mas é a única parte que passa sempre pela minha mão. Todos os dias examino os roteiros para dar algumas orientações. Mesmo que eu esteja em Lisboa, ou em Tóquio, recebo-os no computador e vou vendo e alterando ou sugerindo o que é necessário.


Respondendo à pergunta do Hugo, da universohq, sobre o modo como as pessoas chegam a desenhadores ou argumentistas de Maurício, o autor explica que aceita ver o trabalho de quem quer que chegue ao estúdio com esse objectivo. Depois, se achar que o trabalho é válido ou tem potencial, Maurício dedica-se a fazer alguns comentários e a sugerir o aperfeiçoamento em determinada(s) área(s). Mais tarde volta a ver o trabalho, para verificar se houve evolução, e repete este processo cinco ou seis vezes, durante um período que pode chegar aos dois anos. Se o trabalho final estiver à altura, então a pessoa é contratada e fica a trabalhar com Maurício e a sua equipa.


Qual é a sua personagem favorita?
É sempre aquela que estou a desenhar, porque consigo sentir-me na pele das minhas personagens. Acho que todos os autores, no momento em que estão a fazer uma personagem, eles são essa personagem. Mas talvez as personagens animais… Porque quando estou a desenhar a Mónica, eu posso ser a Mónica, uma menininha, mas não posso ir além da Mónica, não posso ser o adulto para além da Mónica. Quando desenho o Cebolinha, a mesma coisa. Mas quando desenho o Horácio, ou o Jotalhão, ou o Bidu, posso ir além das simples características animais porque posso fabular. E isso permite-me ir mais longe e colocar, talvez, algumas características e preocupações minhas. Talvez o Horácio seja realmente a personagem onde falo mais de mim próprio.



Uma das imagens de marca das suas histórias é o facto de, às vezes, aparecer nelas, um pouco como Hitchcock nalguns filmes.
Isso não fui eu que criei… Quando era apenas eu a desenhar as minhas histórias, o Maurício nunca aparecia. Isso até seria quase um culto da personalidade… Mas começou a acontecer a partir do momento em que passei a ter uma equipa a desenhar para mim e eles acharam muito ‘gira’ a ideia de me colocar nas histórias. Então eu deixei passar e agora isso acontece às vezes, principalmente em histórias que pretendem ajudar a esclarecer como é que funciona o estúdio, como é o trabalho do Maurício e dos seus auxiliares.


O seu trabalho revela, muitas vezes, uma certa preocupação social, nomeadamente com as questões do ambiente, mas não só. Pensa que a BD pode ajudar a consciencializar as pessoas para os problemas, nomeadamente o público mais jovem?
Sim, penso que sim. Desde que seja de modo suave. Principalmente porque esse tipo de histórias que nós fazemos são concebidas para serem momentos de lazer, e descontracção. Na altura da guerra havia uma personagem nos Estados Unidos chamado Ferdinando (Li’l abner), criado por Al Capp, que saía todos os dias em mais de dois mil jornais. Nessa altura, todos os personagens de BD americanos participavam de algum modo, nas suas histórias, no esforço nacional de guerra. Menos o Ferdinando, que continuava a viver as suas aventuras lá na cidadezinha de onde era. E outros autores perguntavam a Al Capp qual era a ideia dele; porque é que Ferdinando não participava no esforço de guerra, porque é que não se ‘açistava’. E Al Capp explicava que os soldados que estavam na guerra, no meio das bombas e dos tiroteios, estavam habituados a ler as histórias daquela maneira. Se ele entrasse na guerra seria uma espécie de perda de uma referência muito importante…
A Turma da Mónica não é alienada. Ela tem, aliás, uma preocupação muito grande, por exemplo, com a ecologia… Mas as histórias são um momento de ‘relax’. E se vamos passar alguma coisa, alguma mensagem, que seja de modo suave, como a gente passa para os nossos filhos. A gente não passa nada de muito cru para os nossos filhos, mas vamos passando todas as informações de modo suave para que eles possam ir adquirindo esse conhecimento e para que, quando crescerem, aí sim possam ter o retrato fiel da realidade.


Dialogando também com o universohq, Maurício falou de projectos como o da Cartilha da Fome Zero, que será lançada brevemente, e que se destina principalmente às famílias. Falou também de alguns projectos de alfabetização e de formas de levar a cultura e os livros até zonas mais isoladas do Brasil (é o que está a acontecer com as Bibliotecas Itinerantes, um projecto que ganha novos adeptos a cada dia que passa e de que Maurício fala com um entusiasmo visível).
Para além disso, ficámos a saber que os desenhos animados da Turma da Mónica passarão em breve numa televisão portuguesa, estando Maurício a tentar implementar outros projectos em Portugal, de modo a conseguir estabelecer a ponte com a Europa.





NOTA: As fotografias foram recolhidas na internet.
FIDBA - O PRIMEIRO FIM-DE-SEMANA
Estivemos na Escola Intercultural para visitar as exposições do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora deste ano e começaremos a publicar brevemente vários posts sobre o assunto. Hoje, e porque o cansaço já é muito, deixamos on-line a entrevista com Maurício de Sousa que realizámos durante a tarde, guardando os comentários às exposições para os próximos dias.