7.11.06

MUSEU DE ARTE POPULAR - TAKE II (o primeiro post ficou no arquivo...)

Há vários anos que o Estado ignora o Museu de Arte Popular, protelando obras infindáveis e falando dele o menos possível. O Estado ignora, mas as centenas de turistas que todos os meses batem à porta do museu para saberem se o podem visitar, e os cidadãos que fazem iguais tentativas, não.
Agora, o Ministério da Cultura pretende encerrar o museu e usar o edifício para um futuro museu do mar e da língua portuguesa, com direito a dinheiro para a investigação e tudo! Isto numa altura em que a investigação anda pelas ruas da amargura (os bolseiros de investigação científica que o digam) e em que alguns tesouros da língua portuguesa apodrecem nas bibliotecas e arquivos estatais, não deixa de ser irónico...

O Museu de Arte Popular foi projectado pelo Arquitecto Jorge Segurado e nele trabalharam artistas como Tomás de Melo (Tom), Estrela Faria, Manuel Lapa, Eduardo Anahory, Carlos Botelho e Paulo Ferreira. Do acervo do Museu de Arte Popular fazem parte peças de artesanato que há muito deixaram de se executar, constituindo por isso exemplares únicos que importa preservar. O que pretendem fazer à colecção? Espalhá-la pelo pais? Encerrá-la numa qualquer catacumba estatal? Destruí-la? E que sentido faz deslocar este importante acervo para qualquer outro local, sabendo que o MAP foi projectado em função da colecção que alberga, constituindo por isso um exemplar arquitectónico-museológico sem igual (desde as peças de mobiliário expositivo aos vidros, passando pelos espaços - concebidos por arquitectos que passaram pela escola da Bauhaus, tudo no MAP está em relação com a colecção museológica)? E o arquivo e a biblioteca do Museu? E os frescos de alguns dos artistas mais relevantes do século XX português, ficarão bem entaipados com placas?

Aqui podem assinar uma petição contra o fecho do Museu de Arte Popular. Talvez isso ajude a que as 'mentes iluminadas' do Governo pensem melhor antes de fazerem semelhante asneira.