21.9.03

NOVA BD GALEGA
No início do próximo mês começam as XV Jornadas de Banda Desenhada de Ourense - Galiza. A propósito daquele que é já um dos mais importantes eventos anuais de bd da Península, deixamos aqui uma entrevista com Alberto Vázquez, a mais recente promessa da bd galega, co-autor (com Kike Benlloch) do álbum Freda, a ser apresentado em Ourense.



Na próxima viagem a Santiago, procuraremos saber como evoluiu, no último ano, a "cena" galega de bd e ilustração. Até lá, aqui fica a entrevista com um dos "novos".


Pg.17 de Freda, Edicions de Ponent

19.9.03

O PRIMEIRO TINTIM NO PÚBLICO
Aviso para os mais distraídos: o Público de hoje oferece o livro Rumo à lua, um dos muitos em que Hergé deu vida à incontornável personagem de Tintim. A partir de agora, os restantes serão pagos e sairão sempre às sextas-feiras.



Aqui ficam as palavras de Hergé sobre este Rumo à Lua (retiradas da página 43 do Público de hoje):

O que eu fiz foi apenas 'romancear' livros que já existiam, em particular 'A Astronáutica', de Alexandre Ananoff. Li muito antes de me lançar nesta história e ainda disponho de uma pequena biblioteca consagrada a este tema. A maqueta do foguetão lunar foi construída minuciosamente e submetida à aprovação do próprio Ananoff, tendo-me deslocado expressamente a Paris para lha mostrar. Eu queria que Bob de Moor [colaborador de Hergé e, também ele, autor de BD] soubesse exactamente, no momento de a desenhar, em que lugar do veículo espacial se encontrava cada um dos personagens. Era essencial que cada pormenor estivesse no seu lugar, que tudo estivesse perfeitamente afinado: a iniciativa era demasiado perigosa para que eu me metesse nela sem garantias. Era um assunto 'quebra-cabeças': eu podia apresentar animais monstruosos, seres incríveis, criaturas de duas cabeças e espalhar-me... Por isso, optei por tomar todas as precauções: nada de selenitas, nada de monstros, nada de surpresas fabulosas!... É também por este motivo que nunca mais farei nenhum álbum deste género: que querem que aconteça em Marte ou Vénus? Para mim, a viagem interplanetária é um assunto vazio de conteúdo."

("Entretiens avec Hergé", de Numa Sadoul, Éditions Casterman)

Copyright: © 2003 Público ; Hergé


Na edição on-line, nesta secção, pode ler-se também um artigo de Carlos Pessoa sobre a incursão de Hergé pela lua.

17.9.03

AUTOR DE CULTO Edward Gorey nasceu em 1925, em Chicago. Com apenas cinco anos já tinha lido Drácula e Alice no País das Maravilhas. Em 1953 decide ir para Nova Iorque, levando consigo a sua colecção pessoal de fotografias de bebés mortos à nascença, e começa a trabalhar como ilustrador de livros para a editora Doubleday/Anchor até 1960.

O seu primeiro livro, The Unstrung Harp, data precisamente de 1953. Desde então publicou inúmeros livros, sendo que na maior parte deles foi autor e ilustrador e noutros apenas ilustrador. Alguns dos seus livros são verdadeiras obras de culto como é o caso das antologias Amphigorey, as adaptações de Alphonse Allais ou Saki.
Apesar de tantas publicações, Edward Gorey ficou especialmente conhecido pelo seus desenhos usados no programa de televisão Mystery



Muitos autores de bd, encenadores, músicos e coreógrafos encantam-se pelo seu mundo misterioso, mórbido, insólito, enigmático, obscuro, cheio de humor e absolutamente genial. É o caso de Tim Burton , Richard Sala, e Dame Darcy.
Em 1986 muda-se para Cape Cod, onde acaba por falecer, em Abril de 2000, com 75 anos. A sua casa é hoje, em dia, um museu.

O último livro publicado no mercado português, Quatro Estórias, pela Errata, reúne quatro obras originais de Gorey: O Casal Execrável (1977), O Hóspede Suspeito (1957), A Bicicleta Epipléctica (1969), um dos seus títulos mais populares, e A Visita Relembrada (1965).

Deixamos aqui alguns links interessantes sobre o seu trabalho:

The Works of Edward Gorey

Edward Gorey Bibliography web site

The Gashlycrumb Tinies










CRÓNICA INESPERADA
Há coisas a que nunca pensámos assistir. No meu caso, a agradável surpresa deu-se com a leitura nocturna do Público diário. Foi então que vi Eduardo Prado Coelho partilhando a página com o repórter...Tintim! Eu sei que é uma operação de marketing, mas gostei de ver. Infelizmente, parece que a edição on-line não reproduziu a brincadeira
LOUSTAL
Esta foi uma das aquisições permitidas pelos saldos, fenómeno que, felizmente, já se instalou para além das lojas de roupa (os livros escusavam era de ser colocados ao monte, atirados uns para cima dos outros como se de calças de ganga se tratassem… mas enfim, não quero voltar a repetir estas mágoas livrescas tantas vezes aqui carpidas).



Em Viviane, Simone et les autres, Loustal expõe uma certa decadência associada ao mundo do cinema e dos seus apreciadores, deixando claro que as histórias mais capazes de nos fazerem imaginar outras histórias, vidas inteiras, podem criar-se a partir da desilusão, da frieza de todos os percursos sem sonhos ou com os sonhos feitos em cacos. “Cheap Heroes”, a primeira de duas histórias, é apenas um desfile de personagens que se equilibram entre os falhados conscientes e os falhados que se julgam heróis. A aparente inexistência de uma narrativa é vencida pelas infinitas possibilidades de estabelecer laços entre a história de cada uma das personagens, todas unidas pela falência de qualquer futuro passível de lhes mudar a vida. Nesta espécie de galeria de polaroids, Loustal revela a sua já conhecida capacidade de criar densidade narrativa apenas a partir da criação dos personagens.



Na segunda história, “Les Cafards”, a paranóia assume-se como desencadeadora desse futuro garantidamente decadente que marca os personagens de todo o livro. Aliás, o futuro (ou o no future, termo relativamente apropriado neste caso) é traçado logo desde o título pelo seu sentido múltiplo: cafard- ‘barata’ (o insecto que tanto transtorna Rémi), mas também ‘hipócrita’ e, acima de tudo, ‘desânimo’, esse esmorecimento que Loustal transforma em kitsch glamouroso num livro irresistível.



Edição da Futoropolis, Paris, 1985

16.9.03

SUPERFUZZ Para quem acompanha as novidades musicais, terça-feira é dia de Blitz. Mas nem só de música vive o único semanário português dedicado ao tema... todas as terças feiras o Blitz apresenta uma página dedicada à banda desenhada onde, para além de duas pequenas recensões (muitas vezes a livros ou publicações pouco divulgadas por cá), encontramos as histórias hilariantes de Esgar Acelerado e Rui Ricardo: Superfuzz. Algumas podem ser vistas no site do jornal, neste link.
Para conhecer melhor o trabalho dos autores, aqui fica um site indispensável, que inclui bd's e ilustrações para o Blitz e para outras publicações e actividades.



14.9.03

TINTIM EM ATRASO A notícia vem com um dia de atraso, porque ontem a leitura do Público aconteceu tarde e a más horas. A partir da próxima sexta-feira, por mais 4 euros, quem comprar o Público leva para casa um álbum de Hergé com as aventuras de Tintim. São 24 livros, a começar com a oferta do primeiro volume desta edição, "Rumo à Lua", no dia 19 de Setembro. Ideal para quem quer completar a colecção (a mim falta-me uns quantos...) ou mesmo iniciar-se no mundo de um dos heróis mais considerados da história da banda desenhada.

13.9.03

BIZARRIAS O número de Agosto da Mondo Bizarre já se encontra espalhado por alguns bares de Lisboa e, supomos, por vários outros sítios. Nós encontrámo-lo ontem, no Agito, e pareceu-nos interessante divulgá-lo aqui na medida em que, para além do resto, incluí uma secção com recensões críticas a várias novidades editoriais de banda desenhada. Depois há música, muita música espalhada por diversos artigos, entrevistas e críticas (Cabaret Voltaire, More República Masónica, Manic Street Preachers, etc...). Para os apreciadores, como nós, há uma "prenda" especial: uma entrevista com os Tindersticks em torno do seu novo álbum.



Procurem-na pelos bares... Caso não encontrem, há sempre a versão on-line aqui.

12.9.03

CRISTINA VALADAS Nasceu, estudou, vive e trabalha no Porto. Dedica-se à pintura e à ilustração infantil. Publicou vários livros, dos quais destacamos Poemas com asas e Herbário, ambos com texto de Jorge Sousa Braga, publicados na Assírio & Alvim.
Deixamos aqui o seu site para apreciarem e conhecerem melhor o seu trabalho.


Ilustração para Contos da China Antiga, de José Jorge Letria
(Edição: ÂMBAR)

11.9.03

O BRASIL CHEGOU AO BECO...OU O BECO CHEGOU AO BRASIL!
Já sabíamos que do Brasil vinha uma parte considerável dos leitores do Beco. Mas o mail que recebemos hoje faz-nos pensar na hipótese de levar o intercâmbio para diante, incentivando a participação dos que, do lado de lá do Atlântico, trabalham com bd e ilustração ou têm por essas áreas o mesmo interesse que nós. Quem nos escreveu foi Maxx Figueiredo, autor de banda desenhada e de crónicas gráficas de cujo trabalho deixamos uma amostra mais abaixo. Maxx convida-nos a iniciar uma troca de ideias, coisa rara nos dias que correm, e ainda se mostra interessado em colaborar connosco.
Envia-nos também um "presente", uma ilustração belíssima que não podemos colocar on-line porque as nossas competências técnico-informáticas são pequenas...
Estamos, obviamente, receptivas a colaborações como esta. Maxx, todos os textos, notícias e links que quiseres enviar sobre o tema bd/ilustração terão espaço neste blog. Quanto a imagens, só conseguimos colocar on-line as que estiverem já alojadas nalguma página web. Se essa condição se verificar, basta que envies o endereço da imagem. Neste Beco cabe muita gente e as casas ainda estão quase todas por ocupar... Venham daí essas colaborações, transatlânticas, nacionais e de qualquer outro ponto do globo!






Jornalismo Dromocrático, de Maxx Figueiredo. Mais informações aqui.

10.9.03

WEIRDOUG Doug Boehm, ilustrador e designer gráfico, colabora em diversas publicações desde a Playboy Magazine, a The Village Voice.
Weirdoug é o nome do seu site oficial, que vale a pena visitar.
Deixamos aqui algumas ilustrações que não se encontram no site.






9.9.03

FANZINE PORTUGUÊS ON-LINE
Neste endereço encontra-se o Nimbus, cuja apresentação segue daqui a umas linhas, em itálico. Aqui podem descobrir-se periodicamente trabalhos inéditos nas áreas da bd, ilustração e cartoon, assinados por autores ainda por conhecer. O destaque vai para a secção de bd (a de ilustração deixa um pouco a desejar...) e o elogio vai para a própria ideia de colocar on-line trabalhos desconhecidos, deixando este Nimbus funcionar como potencial "expositor" de novos autores.

É com muito orgulho que apresentamos o site "Nimbus".
Aqui irá encontrar trabalhos realizados por um grupo de jovens que partilham um gosto especial pela 9ª Arte:
A Banda Desenhada.
Porém, irá encontrar aqui mais do que isso. Além de Banda Desenhada, temos trabalhos nas seguintes áreas:
Ilustração, Caricatura, Cartoon e Narrativa. Haverá também actualizações periódicas.
Aceitaremos, com muito gosto, a participação de novos membros, com trabalhos que se integrem dentro deste contexto, através do Email: nimbusonline@sapo.pt

Apreciem

A Gerência


Da secção "Esquisso" (e não "Esquiço", como está escrito...) retirámos esta imagem:


8.9.03

NÃO É A DICA DA SEMANA*, MAS PODIA SER... Os saldos da Fnac devem estar mesmo no fim, mas se calhar ainda vão a tempo de ter a mesma sorte que eu e encontrar este livro fabuloso



na Fnac do Colombo, por dois euros e meio. Repito: dois euros e meio. Depois de meses a rondá-lo, para ver se o preço proibitivo ainda era o mesmo, fui dar com ele no meio de um caos de livros vários, numa daquelas estantes portáteis onde costumam estar os calendários. Passem por lá e pode ser que ainda encontrem um!

* A "DICA DA SEMANA" é um trocadilho exclusivo para habitantes dos subúrbios, premiados com esta belíssima publicação semanal na sua caixa do correio. Ou os citadinos também têm disto? Agora fiquei curiosa...
A REFERÊNCIA DA BEDETECA Já ia sair da net quando fiz a habitual viagem diária ao site da Bedeteca, descobrindo a referência ao Beco e a outros dois blogs ligados à bd e à ilustração. Aqui ficam os agradecimentos à Bedeteca e os links para os outros blogs citados: Devil Dance e Crime-Creme.
O REGRESSO E A ESCRITA EM DIA Regresso ao Beco depois de uns dias de ausência. Para além de alguns problemas informáticos, o silêncio deveu-se à partida de uma amiga especial, com quatro patas e um pêlo invejável, que nos deixou para se dirigir ao tal céu dos animais de que falaram há uns tempos os Marretas.



Para a escrita ficar em dia, lembro a coluna de Umberto Eco no Diário de Notícias que foi, este Sábado, dedicada à banda desenhada. O link fica aqui (não sei durante quanto tempo). No Diário de Notícias de hoje, João Miguel Tavares escreve sobre a edição portuguesa de Sambre, num artigo para ler aqui.

Nos próximos dias haverá leituras (ainda os saldos da Fnac) e comentários, bem como uma actualização dos blogs que estão como link.

7.9.03

MAIS UM ILUSTRADOR Pierre Pratt nasceu em 1962 no Canadá. Tem mais de 50 livros ilustrados e ganhou vários prémios em diversos países. A revista gráfica Communication Arts, escolheu O homem que engoliu a lua, o seu primeiro trabalho em Portugal (editado pela Ambar, com texto de Mário de Carvalho), para figurar com cinco imagens na Illustration Annual do corrente ano.
Deixamos um pequenino exemplo do seu trabalho.

5.9.03

CAPUCHINHO VERMELHO, SÉCULO XXI
Richard Câmara é o autor de uma nova leitura do Capuchinho Vermelho, editada recentemente pela Polvo e já disponível nas livrarias. Com o traço aparentemente simples que caracteriza o trabalho do autor, O Capuchinho Vermelho na versão que as crianças mais gostam!é fiel aos traços fundamentais da história da menina que leva o cesto à avozinha, tropeçando num inesperado lobo pelo caminho.
O autor consegue recriar a velha história, apresentando uma leitura que se destaca pela visão, adaptada aos dias de hoje, de alguns pormenores (por exemplo, a avozinha e o seu batom vermelho choque, ou a presença de um telemóvel numa das cenas mais empolgantes) e principalmente pela capacidade de experimentação narrativa. Richard Câmara aplica à linguagem da banda desenhada algumas técnicas habituais do cinema e da literatura, propondo uma leitura do tradicional ?Capuchinho Vermelho? a partir dos pontos de vista dos seus quatro intervenientes principais, lobo, Capuchinho, avozinha e caçador. Esta pluralidade é garantida pela simultaneidade das quatro visões, cada uma ocupando um quarto da prancha.
O Capuchinho Vermelho na versão que as crianças mais gostam! é, por isso e pela capacidade inovadora do autor, bem como pela coerência que este trabalho assume relativamente ao trabalho passado, um livro a ter necessariamente em conta, sendo o seu experimentalismo bem sucedido a característica responsável pelo facto de poder ser um dos livros revelação do ano no que aos quadradinhos portugueses diz respeito.

Infelizmente, não temos nenhuma imagem disponível.

4.9.03

O TEMPO QUE NÃO ABRANDA... Hoje tinha planeado escrever sobre a versão do Capuchinho Vermelho que Richard Câmara acaba de publicar, através das edições Polvo. O livro está lido, as notas estão tiradas e a recomendação é máxima. Mas o tempo, hoje, está a passar de modo implacável e não vai sobrar muito para escrever nada decente sobre um livro que merece muita atenção. Isto para dizer que amanhã regressaremos ao Beco com a calma e a dedicação necessárias. Hoje ficamo-nos pela simples recomedação.

3.9.03

BIMBA LANDMANN Vive em Milão e desde 1988 que se dedica exclusivamente à ilustração infantil. Vencedora de inúmeros prémios, o último dos quais no Japão, as suas ilustrações, de uma beleza inconfundível, destacam-se pelo traço invulgar e pelo modo original como utiliza as cores.
Em Portugal estão editados Um rapaz chamado Giotto (com texto de Paolo Guarnieri) e Clara e Francisco (com texto de Guido Visconti), ambos na Livros Horizonte. Aqui fica o seu site e algumas imagens.





2.9.03

IGORT, UMA REFERÊNCIA NA BD ITALIANA Foi em 1979 que Igort publicou o seu primeiro trabalho, na revista Il Pinguino, que contava com a participação de nomes como Mattotti e Giorgio Carpintieri.



Desde essa altura que Igort colabora assiduamente com revistas e publicações várias, italianas e de todo o mundo, dando a conhecer o seu traço inconfundível e uma espantosa galeria de personagens em constante crescimento. O seu papel no desenvolvimento da banda desenhada italiana e na procura de novas formas de expressão dentro da nona arte é visível nos vários livros que publicou e, felizmente, reconhecido nos prémios que foi e vai ganhando (na fotografia pode ver-se o painel que lhe atribuiu o prémio de ?Melhor Livro? no Festival de Angoulême deste ano).



Aqui fica o link para o seu site, onde podem conhecer-se os múltiplos aspectos da obra de Igort, os personagens que vai criando, as novidades do trabalho em curso e, entre outras coisas, uma curiosa ?genealogia? onde o autor apresenta várias figuras que o fascinam e que o ajudaram a formar enquanto artista: dos sons mágicos de Duke Ellington às imagens de Rodchenko, passando por Walt Disney, a pluralidade de referências ajuda a compreender o trabalho de Igort.
Por cá, podemos ler "O Canto das Cigarras" no penúltimo número da revista Quadrado, com honras de abertura e tudo.


1979


1992


2002