JOÃO LEMOS NA MARVEL
João Lemos assinará o desenho do primeiro volume da série Avengers fairy tales, com argumento de C. B. Cebulski, na Marvel. Notícia completa aqui.
9.1.08
8.1.08
BLOCO DE NOTAS: POSTAIS DE VIAGEM, TERESA CÂMARA PESTANA
Postais de Viagem é o resultado de um longo processo de maturação, como explica Teresa Câmara Pestana no seu site. Em 1992, a estadia da autora na costa ocidental de África resultou num ensaio sobre o vodu. Dez anos depois, o texto foi reduzido e as imagens acrescentadas, surgindo agora um pequeno volume com o selo Gambuzine (para quem não se lembra do fanzine homónimo, espreite aqui).

O livro abre com uma apresentação da narrativa que constitui o seu núcleo, onde ficamos a saber que A.C., a personagem que depois acompanharemos, terá desaparecido algures no Togo. Uma caixa com vários objectos, entre eles o conjunto de postais ilustrados que constituirão o fio da narrativa, foi enviada por A.C. para a pessoa cuja voz narrativa aqui se ouve, permitindo-lhe compor este livro e deixar registadas as impressões e experiências que A.C. recolheu em África.
Seguem-se os postais propriamente ditos, formando a narrativa central; dois postais-vinhetas por página, cada um com uma legenda, à imagem de um postal manuscrito. É a leitura sequencial das imagens e das respectivas legendas que nos permite definir um fio narrativo, desde o regresso de A.C. ao Togo até à sua pacificação espiritual, proporcionada por um conjunto de fenómenos, encontros e revelações de que esta história é testemunha.
A ideia dos postais de viagem não se cumpre apenas no título e no meio narrativo; em termos formais, cada postal-vinheta cumpre as características de um postal ilustrado, contendo as suas fronteiras os elementos necessários para plasmar um determinado espaço, situação ou personagem, conferindo-lhe a função de ‘ilustrar’, no sentido etimológico do termo: iluminar, esclarecer, clarificar. Apesar disso, os postais de A.C. não são estáticos; através da sinuosidade dos traços (onde a influência de alguma arte africana é assumida), alternando a espessura em função do contraste de volumes e planos, há movimento, e através da repetição de espaços a partir de diferentes ângulos, há progressão no tempo, sobretudo nas imagens que pertencem a uma mesma sequência narrativa.
A história de A.C. permite acompanhar várias características da religião animista que é o vodu, sobretudo através das informações directas que vão desfilando pelas legendas. Mas essa intersecção da narrativa de A.C. e das características do vodu, feita de um modo mais literal do que subtilmente em harmonia com a narrativa, acaba por criar uma quebra na percepção destes Postais de Viagem, revelando-se o ensaio sobre vodu que lhes esteve na origem como uma herança mais pesada do que frutífera, na medida em que a busca de A.C. é quase submersa na infindável lista de hábitos, costumes e prática associados ao vodu.
A fechar o livro, nova intervenção da primeira voz narrativa, explicando o destino de A.C., e um novo conjunto de postais, de tom algo elegíaco e muito centrado numa certa visão ‘primeiro-mundista’ sobre o Terceiro Mundo, dando A.C. como integrada na sua nova comunidade e decidida a não regressar.
Apesar de algumas fórmulas menos conseguidas na estruturação da narrativa, importa ler estes Postais de Viagem atentando na exploração da sua estrutura e nos artifícios narrativos invocados para a desenvolver. Aí, creio, reside o foco mais interessante e produtivo do projecto, bem como um motivo seguro para continuar a acompanhar o trabalho de uma autora pouco divulgada fora do pequeno meio a que chamam ‘bedéfilo’ (ou ‘bedófilo’, conforme as sensibilidades).
* Como é pouco provável que o livro se encontre pelas livrarias da praça – pouco dadas a edições de autor sem grande eco na imprensa – os interessados podem encomendá-lo através da morada: Teresa Câmara Pestana - Apartado 67, 3200-Lousã
Postais de Viagem é o resultado de um longo processo de maturação, como explica Teresa Câmara Pestana no seu site. Em 1992, a estadia da autora na costa ocidental de África resultou num ensaio sobre o vodu. Dez anos depois, o texto foi reduzido e as imagens acrescentadas, surgindo agora um pequeno volume com o selo Gambuzine (para quem não se lembra do fanzine homónimo, espreite aqui).

O livro abre com uma apresentação da narrativa que constitui o seu núcleo, onde ficamos a saber que A.C., a personagem que depois acompanharemos, terá desaparecido algures no Togo. Uma caixa com vários objectos, entre eles o conjunto de postais ilustrados que constituirão o fio da narrativa, foi enviada por A.C. para a pessoa cuja voz narrativa aqui se ouve, permitindo-lhe compor este livro e deixar registadas as impressões e experiências que A.C. recolheu em África.
Seguem-se os postais propriamente ditos, formando a narrativa central; dois postais-vinhetas por página, cada um com uma legenda, à imagem de um postal manuscrito. É a leitura sequencial das imagens e das respectivas legendas que nos permite definir um fio narrativo, desde o regresso de A.C. ao Togo até à sua pacificação espiritual, proporcionada por um conjunto de fenómenos, encontros e revelações de que esta história é testemunha.
A ideia dos postais de viagem não se cumpre apenas no título e no meio narrativo; em termos formais, cada postal-vinheta cumpre as características de um postal ilustrado, contendo as suas fronteiras os elementos necessários para plasmar um determinado espaço, situação ou personagem, conferindo-lhe a função de ‘ilustrar’, no sentido etimológico do termo: iluminar, esclarecer, clarificar. Apesar disso, os postais de A.C. não são estáticos; através da sinuosidade dos traços (onde a influência de alguma arte africana é assumida), alternando a espessura em função do contraste de volumes e planos, há movimento, e através da repetição de espaços a partir de diferentes ângulos, há progressão no tempo, sobretudo nas imagens que pertencem a uma mesma sequência narrativa.
A história de A.C. permite acompanhar várias características da religião animista que é o vodu, sobretudo através das informações directas que vão desfilando pelas legendas. Mas essa intersecção da narrativa de A.C. e das características do vodu, feita de um modo mais literal do que subtilmente em harmonia com a narrativa, acaba por criar uma quebra na percepção destes Postais de Viagem, revelando-se o ensaio sobre vodu que lhes esteve na origem como uma herança mais pesada do que frutífera, na medida em que a busca de A.C. é quase submersa na infindável lista de hábitos, costumes e prática associados ao vodu.
A fechar o livro, nova intervenção da primeira voz narrativa, explicando o destino de A.C., e um novo conjunto de postais, de tom algo elegíaco e muito centrado numa certa visão ‘primeiro-mundista’ sobre o Terceiro Mundo, dando A.C. como integrada na sua nova comunidade e decidida a não regressar.
Apesar de algumas fórmulas menos conseguidas na estruturação da narrativa, importa ler estes Postais de Viagem atentando na exploração da sua estrutura e nos artifícios narrativos invocados para a desenvolver. Aí, creio, reside o foco mais interessante e produtivo do projecto, bem como um motivo seguro para continuar a acompanhar o trabalho de uma autora pouco divulgada fora do pequeno meio a que chamam ‘bedéfilo’ (ou ‘bedófilo’, conforme as sensibilidades).
* Como é pouco provável que o livro se encontre pelas livrarias da praça – pouco dadas a edições de autor sem grande eco na imprensa – os interessados podem encomendá-lo através da morada: Teresa Câmara Pestana - Apartado 67, 3200-Lousã
7.1.08
3.1.08
DE VOLTA
Depois de alguns dias atribulados, o Beco das Imagens está de volta.
No CIEAM decorrem as inscrições para os cursos de Banda Desenhada e de Cinema de Animação. Como de costume, as informações estão disponíveis através do e-mail cieam@fba.ul.pt ou do telefone 21 325 21 35.
Na Bedeteca prepara-se a exposição Honey Talks: Banda Desenhada inspirada em placas de colmeia pintadas, da qual voltaremos a falar mais adiante.
Depois de alguns dias atribulados, o Beco das Imagens está de volta.
No CIEAM decorrem as inscrições para os cursos de Banda Desenhada e de Cinema de Animação. Como de costume, as informações estão disponíveis através do e-mail cieam@fba.ul.pt ou do telefone 21 325 21 35.
Na Bedeteca prepara-se a exposição Honey Talks: Banda Desenhada inspirada em placas de colmeia pintadas, da qual voltaremos a falar mais adiante.
29.12.07
MAX NO EL PAÍS
Max, autor recentemente galardoado com o 'prémio nacional del comic' pela obra Hechos, dichos, ocurrências y andanzas de Bardin el Superrealista, inicia hoje a sua colaboração no suplemento Babelia, do jornal El País, assinando-lhe a capa (capa essa que tentei digitalizar, mas a minha relação com o Photoshop continua má e o grão era tanto que mal se percebiam os traços...).
Max, autor recentemente galardoado com o 'prémio nacional del comic' pela obra Hechos, dichos, ocurrências y andanzas de Bardin el Superrealista, inicia hoje a sua colaboração no suplemento Babelia, do jornal El País, assinando-lhe a capa (capa essa que tentei digitalizar, mas a minha relação com o Photoshop continua má e o grão era tanto que mal se percebiam os traços...).
22.12.07
MODO DE PAUSA
O Beco vai encerrar por uns dias, até passar a euforia natalícia à qual é difícil escapar.
A partir do dia 26 haverá mais leituras e comentários e algumas notas sobre Postais de Viagem, de Teresa Câmara Pestana.
E para os atrasados, uma sugestão:

Notícias do Quelele, Bairro de Bissau é o resultado de uma parceria entre o artista e as escolas populares Aruna Embaló (que tive o prazer de conhecer na Amadora) e Penha-Bôr, na Guiné-Bissau. Orientados por Corbel, os alunos das escolas populares reuniram textos e ilustrações sobre os modos de vida e a realidade que os rodeiam e de que fazem parte. Aprende-se muito com este livro, que tanto fala dos penteados tradicionais como dos transportes, passando pela vida doméstica ou pelo casamento. Aprende-se sobretudo com as ilustrações, expressivas e reveladoras de uma criatividade atenta ao mundo e aos modos de interagir com ele.
Até lá, bom Natal para tod@s!
O Beco vai encerrar por uns dias, até passar a euforia natalícia à qual é difícil escapar.
A partir do dia 26 haverá mais leituras e comentários e algumas notas sobre Postais de Viagem, de Teresa Câmara Pestana.
E para os atrasados, uma sugestão:

Notícias do Quelele, Bairro de Bissau é o resultado de uma parceria entre o artista e as escolas populares Aruna Embaló (que tive o prazer de conhecer na Amadora) e Penha-Bôr, na Guiné-Bissau. Orientados por Corbel, os alunos das escolas populares reuniram textos e ilustrações sobre os modos de vida e a realidade que os rodeiam e de que fazem parte. Aprende-se muito com este livro, que tanto fala dos penteados tradicionais como dos transportes, passando pela vida doméstica ou pelo casamento. Aprende-se sobretudo com as ilustrações, expressivas e reveladoras de uma criatividade atenta ao mundo e aos modos de interagir com ele.
Até lá, bom Natal para tod@s!
20.12.07
BD JORNAL #21
Já circula pelas bancas a vigésima primeira edição do BD Jornal. Sobre o conteúdo, que inclui um dossier sobre o último Festival Internacional de BD da Amadora, pode ler-se tudo no Kuentro. Pela minha parte, assino um artigo sobre Heath Robinson e a exposição retrospectiva da sua obra que esteve patente no Cartoon Museum, em Londres.
Já circula pelas bancas a vigésima primeira edição do BD Jornal. Sobre o conteúdo, que inclui um dossier sobre o último Festival Internacional de BD da Amadora, pode ler-se tudo no Kuentro. Pela minha parte, assino um artigo sobre Heath Robinson e a exposição retrospectiva da sua obra que esteve patente no Cartoon Museum, em Londres.
18.12.07
LEITURAS DO DIA
A crónica de Miguel Porto sobre a tão falada euforia da banda desenhada galega e as perspectivas para o futuro.
A crónica de Miguel Porto sobre a tão falada euforia da banda desenhada galega e as perspectivas para o futuro.
17.12.07
BABINSKI
Os originais do livro Babinski, de Luís Henriques e José Feitor (a partir de um livro de Gustav Meyrinck), continuam em exposição na Bedeteca de Lisboa, até ao fim do ano.
Os originais do livro Babinski, de Luís Henriques e José Feitor (a partir de um livro de Gustav Meyrinck), continuam em exposição na Bedeteca de Lisboa, até ao fim do ano.
13.12.07
FEIRA LAICA
Este fim de semana, o espaço Maus Hábitos, no Porto, prossegue o acolhimento à Feira Laica.

Para além da programação habitual, a Laica contará com a apresentação das novas edições da Imprensa Canalha e do projecto Derby, em colaboração com os ateliers de serigrafia Mike Goes West. Tudo bons motivos para rumar até ao Porto.
Este fim de semana, o espaço Maus Hábitos, no Porto, prossegue o acolhimento à Feira Laica.

Para além da programação habitual, a Laica contará com a apresentação das novas edições da Imprensa Canalha e do projecto Derby, em colaboração com os ateliers de serigrafia Mike Goes West. Tudo bons motivos para rumar até ao Porto.
12.12.07
ARGH!
Recebi há alguns dias os três primeros números da ARGH!, uma revista de Valência que valeria a pena encontrar por cá. Infelizmente, entre artigos em atraso e outros trabalhos quase hercúleos, ainda não consegui escrever sobre eles. Felizmente que o Pedro Moura, rapaz organizado e prolífico, já o pode fazer: leiam aqui, que vale a pena.
Quanto à ARGH!, e já que não me sobrou ainda o tempo para falar dela aqui, espero que o contacto que agora se iniciou com o Felix Diaz e o Jorge Parras tenha os frutos merecidos. Entre e-mails e envelopes tradicionais, conspira-se através da fronteira...
Recebi há alguns dias os três primeros números da ARGH!, uma revista de Valência que valeria a pena encontrar por cá. Infelizmente, entre artigos em atraso e outros trabalhos quase hercúleos, ainda não consegui escrever sobre eles. Felizmente que o Pedro Moura, rapaz organizado e prolífico, já o pode fazer: leiam aqui, que vale a pena.
Quanto à ARGH!, e já que não me sobrou ainda o tempo para falar dela aqui, espero que o contacto que agora se iniciou com o Felix Diaz e o Jorge Parras tenha os frutos merecidos. Entre e-mails e envelopes tradicionais, conspira-se através da fronteira...
10.12.07
6.12.07
MAL CRIADOS
Mais logo, pelas 21 horas, na Fábrica Braço de Prata, será apresentado o livro Apocalípticos e Integrados, de Jorge Mateus e Luís Rainha, com chancela da Má Criação.
Mais logo, pelas 21 horas, na Fábrica Braço de Prata, será apresentado o livro Apocalípticos e Integrados, de Jorge Mateus e Luís Rainha, com chancela da Má Criação.
5.12.07
4.12.07
PUB
Serve o presente post para anunciar que passarei a escrever com regularidade num novo espaço, de seu nome Cadeirão Voltaire, a meias com a Andreia. A programação normal será retomada dentro de momentos.
Serve o presente post para anunciar que passarei a escrever com regularidade num novo espaço, de seu nome Cadeirão Voltaire, a meias com a Andreia. A programação normal será retomada dentro de momentos.
LEITURAS DO DIA

A edição número 287 do The Comics Journal já está à venda. No site da revista pode ler-se um pequeno excerto da entrevista com Jeffrey Brown, para abrir o apetite.

A edição número 287 do The Comics Journal já está à venda. No site da revista pode ler-se um pequeno excerto da entrevista com Jeffrey Brown, para abrir o apetite.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






